Ideias de Gestão

Ideias, conceitos e reflexões relacionadas à gestão de TI, gestão de pessoas, inovação, aprendizado organizacional e melhoria contínua. Para quebrar o gelo, ocasionalmente o blog inclui artigos com curiosidades e dicas de música.

Jazz e Inovação

Reflexões sobre inovação a partir da história do jazz.

Charlie Parker

Charlie Parker

O jazz, além de ser um incrível e intrigante gênero musical, nos dá, a partir de sua história e de sua dinâmica, muitas dicas e insights sobre inovação, aprendizado e trabalho em equipe.

Definir o jazz já é um grande desafio. É um estilo que tem mais de um século e se reinventa até hoje, tendo uma infinidade de subgêneros. Para definir o jazz, podemos remeter às escalas de origem africana, ao uso da blue note (desvio de semitons em relação às escalas convencionais) e ao ritmo sincopado. Mas há tantas evoluções e derivações que essa definição se torna inexata. Mas uma coisa é certa: uma mesma música de jazz nunca é executada exatamente da mesma forma, há sempre algum tipo de variação em sua execução, já que é um estilo fortemente calcado na improvisação, experimentação e na habilidade individual de cada músico.

Nos anos 30, o jazz já havia se estabelecido como estilo popular e animava festas dançantes com as big bands de swing. Era uma música essencialmente pop com um grande alcance de todos os públicos. As músicas executadas nessas festas davam muito pouco espaço para a improvisação. Normalmente eram permitidas somente algumas poucas improvisações, com solos curtos entre os temas.

Após os shows de swing, diversos músicos dessas big bands se reuniam para sessões de improvisação chamadas jam sessions. “Jam” é uma abreviação para Jazz After Midnight, horário em que os shows de swing já tinham acabado.

O conceito das jam sessions baseado na experimentação e improvisação foi, durante anos, amadurecendo. A partir disso surgiu nos anos 40 um movimento de inovação do jazz feito essencialmente por músicos negros. Dizzy Gillespie, Charlie Parker, Thelonious Monk são alguns expoentes desse movimento.

Era um movimento de contestação em relação à discriminação racial nos Estados Unidos, uma resposta em relação às convenções da cultura e da música branca. A idéia era a criação de um estilo de música em contraposição aos padrões clássicos e convencionais, criando um estilo negro, para o público negro e que representasse o orgulho negro. Instrumentos tradicionais como o trompete foram tocados de forma completamente inédita, gerando sons inimagináveis para os padrões da época. Seria uma música difícil de executar, pois exigia novas técnicas, e também difícil de escutar devido à complexidade e ao nível de experimentação.

Mas o efeito foi exatamente o inverso. A classe média negra não se identificou e não abraçou o movimento da forma esperada. Entretanto o público branco, principalmente o público jovem intelectual teve uma enorme empatia com a nova música. Rapidamente o estilo conquistou uma legião de fãs por todo o mundo. Músicos brancos absorveram o novo estilo e se integraram ao cenário. Surgiram novas bandas na Europa e em outras partes do mundo que aprenderam essa nova música.

Esse movimento de inovação foi motivado por uma visão compartilhada (a ideia de criação de uma música essencialmente negra) e exigiu uma enorme dedicação e comprometimento desses músicos, que varavam a madrugada compartilhando suas experiências com o objetivo de criar um novo som.

Foi um processo de criação coletiva. Não existia um líder único do movimento, e sim grandes talentos que participaram de um processo criativo a partir de cada contribuição individual. Esse processo colaborativo surgiu a partir dessa união de grandes músicos dispostos a experimentar e da colisão e fusão de suas experimentações.

Por fim, foi um processo com grande imprevisibilidade. Buscando-se o novo, muitas vezes é difícil predizer qual será a reação do público e as suas consequências. Requer observação, aprendizado e adaptabilidade. Inovações como o Post-It ou a própria Internet vieram de ideias iniciais completamente diferentes do que se tornaram, e acabaram por gerar efeitos bem mais grandiosos do que eram esperados. Na história do jazz, essa imprevisibilidade gerou uma incrível oportunidade que acabou por emplacar o estilo em escala global e trouxe um sucesso muito além do esperado para aqueles músicos revolucionários.

O vídeo “De onde vêm as grandes ideias” (dublado em português) apresenta os conceitos de inovação discutidos nesse post, como colaboração, necessidade de maturação das ideias, além de uma reflexão sobre a inovação nos tempos atuais.

Em um próximo post, abordarei um outro assunto muito relacionado com o jazz: o trabalho e aprendizado em equipe.

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Um comentário em “Jazz e Inovação

  1. Pingback: Jazz, aprendizado e trabalho em equipe | Ideias de Gestão

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