Ideias de Gestão

Ideias, conceitos e reflexões relacionadas à gestão de TI, gestão de pessoas, inovação, aprendizado organizacional e melhoria contínua. Para quebrar o gelo, ocasionalmente o blog inclui artigos com curiosidades e dicas de música.

Aiôô Silver! – o estilo heroico de liderança

zorro no cavalo

Quando fiz o MBA na Dom Cabral, estava bastante cético em relação à disciplina de gestão de pessoas. Questionava muito a aplicação prática em minha vida profissional. Entretanto tive o melhor módulo de todo o curso, com um excelente professor, o Pedro Mandelli, que também é um reconhecido consultor na área. Desde então, interesso-me muito pelo assunto de gestão de pessoas, motivação e comportamento humano.

Dentre muitos outros assuntos, o Mandelli trata do estilo heroico de liderança. Ele compara o líder heroico com o Zorro, aquele mascarado de chapelão do seriado dos anos 70 que eu acabava vendo na TV quando eu era criança, enquanto o Batman não começava.

Quando há algum problema na cidade, o Zorro aparece todo elegante e seguro de si, com sua capa, chapéu e espada, montado no glorioso cavalo Silver. Ele sempre sabe exatamente o que fazer, enfrenta os vilões, encara lutas de espada, e deixa a sua marca “Z” sempre que finaliza sua missão.

Enquanto isso, seu fiel ajudante é o Tonto, que não dá pitaco nenhum e dá uma ajudinha uma vez ou outra. A população é pacata, ignorante, e venera o Zorrão. A população é espectadora da situação, torcendo para que tudo seja resolvido, e ao final é muito agradecida ao herói. Mas não ajuda, não sai do lugar e não tem grandes aspirações. E sabe que quando aparecer o próximo problema o Zorro vem resolver.

O gestor heróico age como o Zorro. Normalmente é o gestor que se destacou na área técnica, e tem um grande domínio técnico do assunto. Ele é centralizador, assume o problema e define o que será feito. A equipe é essencialmente operacional e não tem responsabilidade sobre as decisões. E consequentemente não assume riscos.

Na minha experiência, observo que um dos maiores componentes da motivação no trabalho é compartilhar a responsabilidade na tomada de decisão. Fica fácil quando o chefe decide tudo. Se der errado a culpa é toda do chefe. Quando a decisão é compartilhada, a equipe se torna responsável por fazer acontecer, pois participou da decisão. E tem muito mais comprometimento. Se esforçará mais quando enfrentar algum percalço no meio do caminho. Além do mais, a equipe tem um desenvolvimento profissional muito mais acentuado, pois precisa assumir os problemas, estudar e aprender com os erros e sucessos.

Obviamente existem situações em que o gestor deve assumir a decisão e seguir em frente. São as situações urgentes que exigem uma rápida ação. Nesses casos, normalmente não há tempo para discussão e o melhor a fazer é centralizar a decisão para não comprometer o negócio. Situações de impasse também necessitam da palavra final do líder, para que haja convergência.

Outro ponto a se destacar é que a liderança participativa não é um processo de votação. O bom líder não transforma sua gestão em votação e não decide a partir da contagem dos votos. Mas dá oportunidade à equipe de participar e contribuir no processo decisório.

Se o gestor não acredita que o estilo participativo funciona e que tem que assumir as responsabilidades porque a equipe não dá conta, precisa refletir. Provavelmente não confia no time. Primeiro precisa avaliar se está com a equipe certa, se os membros da equipe possuem a competência necessária para assumir essa responsabilidade. E nesses casos, pode ser necessário treinamento ou mesmo trazer gente do mercado que tenha a expertise para a função. Mas pode ser que o gestor não tenha desafiado a equipe o suficiente. Ele pode ter receio de perder poder. Pode ter medo de que  as coisas não sejam feitas do jeito que ele faria. E certamente não serão, cada um tem sua forma de pensar e seu jeito de fazer as coisas. E muitas vezes o resultado final pode ser melhor.

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4 comentários em “Aiôô Silver! – o estilo heroico de liderança

  1. Marcelo Baltar
    abril 29, 2013

    Tive uma experiência similar a sua no meu MBA do Ibmec, Leandro. A disciplina de Gestão de Pessoas tornou-se uma das minhas preferidas e a única que devorei o livro de cabo a rabo. Uma pena que não posso elogiar tanto a minha ilustre professora, que deixou a tarefa de dar aula mais para os alunos do que para ela própria.

    Sobre o gestor não participativo, ou que não delega e não desafia adequadamente sua equipe, além de tudo o que você comentou, acrescento ainda outro malefício: a miopia de não perceber que o desenvolvimento de seu time é o caminho para o seu próprio desenvolvimento e validação como bom líder. Empresas com avaliações de desempenho um pouco mais estruturadas já cobram isso de seus gestores, e a formação de sucessores é essencial para isto.

    • leandropessoabr
      abril 29, 2013

      Isso mesmo, Marcelo. Muitas empresas ainda não têm esse nível de maturidade e valorizam o líder heroico. Não sabem o que estão deixando na mesa! Obrigado pela contribuição!

  2. Pedro Martins
    abril 30, 2013

    Leandro,

    Muito bom este material. Na empresa na qual trabalho sou multiplicador de um curso chamado “The Leader’s Window” que trata, dentre outras coisas, deste tema. Reconheci imediatamente o Líder Heroico como um dos arquétipos do mundo empresarial no qual no referimos neste curso.

    É importante seu comentário que nem todas as situações permitem uma participação ativa ou democrática da equipe. Entretanto, o líder que não treinar seu grupo de liderados a dividir a responsabilidade pelas soluções nunca poderá delegar tarefas com confiança e responsabilidade. Neste caso ele acaba se tornando outro tipo terrível de líder, que é aquele que entrega tarefas para a equipe sem preparo algum, apenas pela falta de tempo ou interesse. Declara que está delegando, mas na verdade está apenas abandonando sua equipe.

    Grande abraço meu amigo

    • leandropessoabr
      abril 30, 2013

      Obrigado, Pedro! Também considero esse tema de extrema importância, basta ver a quantidade de pessoas de talento no mercado de trabalho que estão desmotivadas pela falta de oportunidade de mostrar seu potencial. Grande abraço!

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