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Ao lermos cases corporativos de sucesso, temos a tendência de imaginar líderes visionários que traçam minuciosos planos e os seguem à risca, alcançando incríveis resultados com suas capacidades de planejamento e antecipação de riscos.

Se pudéssemos saber o que realmente aconteceu em cada uma dessas histórias de sucesso, certamente constataríamos uma situação bem menos controlada, repleta de falhas e tentativas.

Há um senso comum de que, se houver um planejamento criterioso e um trabalho de gestão de riscos que antecipe e mitigue todas as situações indesejáveis, basta seguir o plano com afinco que alcançaremos os resultados esperados: prazo, custo, qualidade e satisfação do cliente.

Vivemos na falácia do planejamento perfeito. É humanamente impossível fazer um planejamento que cubra todos os riscos e preveja todas as situações possíveis. Lidamos com sistemas em que o volume de variáveis, eventos e dependências é tão grande que exigir que todas as atividades planejadas sejam executadas à risca é inviável. No  planejamento detalhado, há a necessidade da antecipação de todas as decisões do projeto, em um ambiente repleto de incertezas, aleatoriedade e de eventos improváveis. Além disso, torna-se necessário tratar todos os assuntos, tanto os de alta quanto os de baixa prioridade, com o mesmo grau de importância.

A empresa que exige a elaboração de planejamentos detalhados e a execução disciplinada premia o gestor rígido. Ao fazer isso, esse gestor precisa defender a exatidão do seu plano, e reprimir qualquer tentativa de mudança, ocultando oportunidades de melhores resultados. Por outro lado, a empresa pune o gestor adaptável, que trabalha com feedback constante, reage às mudanças de cenário e ajusta suas ações, focado na missão do projeto e não na assertividade do cumprimento do plano.

Em um modelo com maior grau de adaptação, há uma missão a ser perseguida e um conjunto limitado de indicadores. O planejamento existe, mas o replanejamento não pode ser um processo penoso, e sim um processo mais leve, com uma visão macro do projeto completo e com marcos de entrega bem definidos no curto prazo. O processo deve fomentar a abertura para críticas e feedback,  prototipação rápida para teste de novas abordagens e espírito de, ao invés de encontrar e repreender os culpados, discutir os erros e acertos e evoluir o plano.

Precisamos buscar um melhor balanço entre rigor e flexibilidade, disciplina e inovação, precisão e entrega de valor.


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