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As decisões são sempre suportadas por premissas. Pontos de apoio que suportam uma determinada ideia ou abordagem, delimitam um problema, comunicam as restrições e simplificam o universo de análise.

Já presenciei diversas situações em que determinadas premissas, de histórico obscuro, são encaradas como verdade absoluta, como mandamentos sagrados. Não há  questionamento, e as consequências são desastrosas no momento em que essas premissas se mostram falsas ou frágeis.

Houve um projeto em que trabalhei onde iríamos coletar o deslocamento de materiais em uma linha de produção. O usuário nos garantiu que a linha sempre andava para frente, nunca retrocedia. A partir dessa premissa, especificamos um sensor mais barato que somente incrementava os pulsos e nunca decrementava. Ao chegarmos no dia da implantação, percebemos que a cada parada da linha ela voltava para trás – e muito. O usuário estava comigo e falou: “é, ela volta um pouco sim… Mas é só um pouquinho, isso pode dar algum problema?”. Tivemos um atraso no cronograma e um estouro de custos no projeto devido a essa frágil premissa.

Algumas outras premissas perigosas que já presenciei: “estamos considerando que a especificação terá 90% de assertividade, e haverá portanto 10% de flexibilidade no escopo”. “Para os ajustes no ambiente, consideramos que o sistema X será blindado, não havendo portanto nenhum esforço de alteração contemplado”. “Pelas diretrizes tecnológicas, a única forma permitida de se implementar esse requisito é através da tecnologia Y”. E por aí vai…

Há uma grande falácia nas premissas declaradas que ninguém ousa questiona-las. Premissas tidas como verdade absoluta mas que não parariam de pé se fossem minimamente testadas. Premissas decretadas pelo chefe, que ninguém acredita mas também não tem coragem de desafia-las. E por fim vem a correria, stress, dor de cabeça e remendo.

As premissas são fundamentais para qualquer processo decisório, mas precisam ter qualidade, precisam ser razoáveis, precisam ser questionadas e testadas.


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